quarta-feira, 23 de julho de 2014

Não foi só Hruschov que mentiu, mas também Bertone Sousa, o "ex-toureador"


Por Cristiano Alves


A Página Vermelha tem sido uma referência para diversos estudiosos por apresentar um ponto de vista independente e por sua capacidade de dialogar com outras fontes. Embora seu autor não seja formado em história, ele se orgulha de sua fluência em 4 línguas, por que isso lhe garante a capacidade de empreender um estudo epistemológico maior que a biblioteca de pretensos intelectuais bitolados a um universo minúsculo de autores politicamente motivados.


Recentemente, alertado por um de nossos leitores, me deparei com textos ignóbeis que atacam o nosso trabalho, todos com um nível infantil. Um deles alega que o autor desse artigo é uma "versão de esquerda de Olavo de Carvalho", outro, alfabetizado apenas em língua portuguesa, portanto com um universo cognitivo muito mais restrito, agora alega que "Khruschov não mentiu". O autor desse artigo, um professor de história da Universidade de Tocantins já denunciado duas vezes site, já foi flagrado mentindo em várias oportunidades, sendo a mais vergonhosa delas a alegação de que "a Coréia do Norte criou uma lei para fuzilar quem for flagrado lendo a Bíblia", mentira que não apenas denunciamos, como comprovamos sua falsidade ao expor fotos e vídeos de missas da Igreja Ortodoxa Russa e da Igreja Católica Romana em plena Coreia do Norte, sendo as primeiras missas bilíngue em russo e coreano. O dito cujo entrou numa histeria, chamando de "burros" a todos que não acatavam seus devaneios e perdeu sua credibilidade por parte de vários leitores. Machista, ainda proferiu insultos pesados, baixos, a uma leitora do nosso site pelo exclusivo fato dela ser mulher, insultos não verificados contra leitores homens. Apesar de tudo, A Página Vermelha optou por manter um texto seu sobre um falso filósofo, uma vez que não somos extremistas.

O novo papelão do "professor aloprado" agora é visível num de seus artigos onde ele destila o seu ódio e descontrole emocional contra o professor Grover Furr, cujos estudos foram reproduzidos a partir de tradução direta em seminário virtual promovido pelo autor de A Página Vermelha com a participação de estudantes e professores de história. Ao contrário do artigo infame de Bertone Sousa, os estudos do professor Grover Furr se baseiam em fontes diretas, concretas, na opinião de quem esteve ao lado de Stalin e de Khruschov, de quem participava de seu círculo e testemunhou pessoalmente suas ações e decisões. As fontes do professor ianque incluem, além de documentos em seu original em russo, língua que, diferente de Bertone Sousa e à semelhança do autor deste artigo, domina fluentemente, relatórios e memórias de políticos como Mikoyan, Molotov, Makenkov, Berya, além de militares como G. Júkov, K. Rokossovsky e outras fontes primárias, algo que o artigo de Bertone Sousa não apresenta, o que se dá por dois motivos óbvios. Grande parte das fontes primárias do Professor(alto título acadêmico do sistema de ensino americano e europeu tem uma conotação muito mais profunda do que sua banalização no sistema acadêmico brasileiro) sequer estão disponíveis em língua inglesa, quanto mais portuguesa, estando disponíveis apenas em russo, língua dominada pelo autor desse artigo, cuja fluência foi elogiada pelos membros da comitiva russa do BRICS, incluindo seu corpo diplomático no Brasil, e pelo professor Grover Furr. 

As fontes que Bertone Sousa emprega são opiniões de terceiros, o famoso "ouvi dizer que fulano disse". Um outro motivo é que Bertone Sousa não apenas é intelectualmente incapaz de acessar essas fontes primárias, como tenta desmerecê-las como "teoria conspiratória", além de seu medo de ter seus dogmas colocados por terra abaixo. Bertone Sousa alega em seu texto, por exemplo, que:

"Esse conceito se distingue do uso mais comum de genocídio porque o ódio de Stálin por esses povos não era apenas racial"

Essa afirmação demonstra que o problema do "professor aloprado" não está em sua ignorância, e sim em má fé. Obras e trabalhos de Stalin estão disponíveis nos mais diversos idiomas, inclusive o português. Ao contrário de Bertone Sousa, que não dispõe de qualquer trabalho de natureza antirracista, Stalin criou o maior trabalho antirracista do século XX, Marksizm i natyonalniy vopros, em português "O marxismo e a questão nacional", disponível suas Obras, Volume 2, cuja edição data dos anos 50, um livro raríssimo, mas disponível sebos. Nesta obra, Stalin combate estoicamente a teoria da "raça pura", comprovando através de pesquisa histórica o que 100 anos depois seria comprovado pela biologia, isto é, o fato de que não existe "raça pura" ou "povo puro", que todos os povos, sejam eles russos, alemães, italianos, britânicos... são mestiços, assim como o povo brasileiro. Ióssif Vissaryonovich Stalin não apenas rejeita as teses de supremacia racial num momento histórico, o início do século XX, como também chama o racismo, por ele chamado de "chovinismo racial", de "mais perigoso vestígio do canibalismo". Em sua resposta à Agência de Notícias Judaica dos Estados Unidos, Stalin enfatiza que o chovinismo nacional é passivo de duras penas na URSS, incluindo a pena de morte!1 Como falar de "ódio de Stalin pelos povos"? E essa resposta de Stalin não se resume a "palavras vazias", em 1936, Ióssif Vissaryonovich foi um dos formuladores da Constituição Soviética ded 1936, a primeira da humanidade a condenar a discriminação racial, numa época em que regimes da Europa Ocidental namoravam a pseudociência conhecida por "eugenia". Curiosamente nenhum desses regimes, inspiradores do nazismo, é tão atacado por nomes como o revisionista Karl Kautsky ou políticos russófobos travestidos de historiadores como Anne Applebaum, que fazem parte do universo minúsculo de fontes terciárias(quiçá quaternárias) dos anticomunistas, sejam eles de direita ou de esquerda. Essa mesma Anne Applebaum, como grande parte dos historiadores queridinhos dos "sovietólogos" ocidentais age de má-fé politicamente motivada pelas suas ideias sionistas(ela própria é judia e sionista, além de compor o regime anticomunista e membro da OTAN polonês). Ao buscar refúgio ideológico para satisfazer sua frustração ideológica, sua incapacidade de ir além de paradigmas, em uma autora abertamente sionista e anticomunista, Bertone Sousa se queixa que "historiadores que adotam sua visão são taxados de anticomunistas". Aparentemente o "professor aloprado" tem sérios problemas para lidar com a realidade e principalmente para assumir sua posição ideológica.

O artigo descrito, "Kruschev não mentiu"(sic), apresenta inúmeras incongruências e principalmente despreparo e desconhecimento do assunto pelo autor. Um dos momentos mais notáveis de sua falta de domínio é a falsa acusação de que "Grover Furr polariza o debate", e como evidência disso ele cita a acusação de que Gorbatchov era anticomunista. Ora, o anticomunismo de Gorbatchov já havia sido notado pelos marxistas alemães, precisamente da Alemanha Oriental, ainda nos anos 80. Um discurso seu2 feito em uma universidade da Turquia revela que "o objetivo de toda a minha vida foi a destruição do comunismo, a ditadura terrível sobre as pessoas"3, para isso, nos diz Gorbatchov, "a minha esposa me apoiou completamente". Mas como era de se esperar, o professor de história da religião não sabia disso.

O erro de Bertone Sousa não é mera casualidade. Tentando difamar o professor Grover Furr, que ele claramente não leu, mesmo numa língua básica como o inglês, cujo ensino está disponível em qualquer lugar do país, incluindo as regiões mais atrasadas do país, o "professor aloprado" nos diz que "não existe base teórica" para a ideia de que havia uma teia de conspirações contrárias a Stalin. Ora, quem nos prova a ledice da declaração do professor, quem comprova a inveracidade dessa afirmação e a falta de credibilidade do intelectual fracassado, são os próprios conspiradores! Alexander Zinoviev, que até o fim da URSS era um dos ídolos da extrema-direita por causa de seu anticomunismo fervoroso, escreveu nos anos 90 as suas "Memórias". Nelas, arrependido de ter lutado contra o comunismo, após ver o fracasso que foi a restauração capitalista na Rússia, Zinoviev nos conta como ele quase chegou a assassinar Iósif Vissayonovich Stalin. Outro livro que revela teias de conspirações é "Comrade X", escrito por um desertor do Exército Vermelho em Londres, o coronel G. Tokayev, traduzido por Alec Brown. Poderíamos citar ainda A grande conspiração: a guerra secreta contra a Rússia soviética, de M. Sayers e A. Kahn, ou mesmo uma operação de proporções ainda maiores, para matar não apenas Stalin, como também Churchill e Roosevelt em Teerã, a Operação Grande Salto. Essa operação foi inicialmente desacreditada pelo serviço britânico, por ter sido informada pelos soviéticos, todavia nos é revelada pelo historiador Yuriy Kuznets em seu livro "Tegeran 43", que deu origem a um documentário televisivo apresentado por Celia Sandys, neta de Winston Churchill.


Uma outra afirmação feita por Bertone Sousa é a da "pusilanimidade militar" de Stalin. Não sei se Bertone Sousa já teve algum treinamento militar, nem que tenha sido pelo menos com um mosquefal num tiro de guerra, mas o que o "professor aloprado" sabe sobre assuntos militares tem a mesma relevância do que o deputado Tiririca sabe sobre literatura britânica shakespeariana. A capacidade militar do líder oriundo da terra de Sakartvelo5 foi atestada pelos grandes comandantes militares russos anos após a sua derrota, inclusive pelo Marechal da União Soviética Rokossovsky, polonês injustiçado pelo sistema de perseguições penais ocorrido nos anos 30, ele chegou a ter seus dentes quebrados em procedimentos de torturas clandestinas ocorridas sob a chefia do NKVD de Nikolay Yejov, mais tarde processado, julgado, condenado e fuzilado. Rokossovsky escreveu em suas memórias as melhores referências sobre a capacidade militar de Stalin, o mesmo fez o Marechal Júkov, que não era nenhum "stalinista fanático" e mesmo chegou a sofrer sanções de Stalin por ter sido flagrado furtando espólios de guerra alemães. Em suas Memórias, Júkov descreve Stalin como um grande comandante militar, dedicado, que dormia apenas 5 horas por dia e tomava significativas decisões militares. Georgiy Dimitrov, líder búlgaro do Komintern, descreve Stalin, ante nomes como Beria, o Marechal Timoshenko, o Almirante Kuznetzov e o jornalista militar Lev Mekhlis, como detentor de uma "surpreendente calma, resolução, confidência".6 Como bem enfatizado pelo professor Grover Furr na obra atacada por Bertone Sousa, "até mesmo o historiador dissidente e feroz antistalinista Roi Medvedev demonstrou ser mentirosa essa versão dos eventos"(isto é, a de Khruschov e Bertone Sousa, segundo a qual Stalin era pusilânime ao início da guerra). De acordo com Medvedev, a versão de Khruschov é uma "completa fabricação", mas ainda assim ela aparece nas biografias de Stalin de Jonathan Lewis, Phillip Whitehead, Allan Bullock e na Oxford Encyclopaedia of the Second World War. Ou seja, todas fontes secundárias que se baseiam em uma mentira de Khruschov comprovadamente falsa, inclusive pelo próprio diário oficial de Stalin, aberto ao público hoje. A noção de "Stalin era um mal comandante", a 35º acusação de Khruschov defendida por muitos sovietólogos ocidentais, também é comprovadamente falsa, inclusive desmentida nas Memórias não apenas Júkov e Rokossovsky, como também nas do Marechal Vassilyevsky e mesmo do Marechal Golovanov. Assim, fica a pergunta, se os mais altos comandantes e especialistas militares da União Soviético, incluindo Marechais da União Soviética, o mais alto posto militar do país, concordam que "Stalin foi um grande comandante" e que era "resoluto e decidio", quem Khruschov ou um professorzinho da estirpe de Bertone Sousa pensam que são para dizer o contrário? É muita pretensão!

O autor do artigo vai além, forçando a barra ele recorre novamente à judia sionista Applebaum para sustentar sua tese de que "Stalin odiava os tártaros da Crimeia e os alemães", para corroborá-la ele afirma que Applebaum revela que "mais tártaros lutaram no Exército Vermelho do que o contrário". Apesar de correta a informação da historiadora sionista, aqui Bertone Sousa emprega um recurso muito utilizado por Olavo de Carvalho, a mentira através da omissão. Na União Soviética, nem todos os tártaros viviam na Crimeia. Os tártaros estavam espalhados pela maior parte da União Soviética, em especial na Tartária, república da Rússia soviética com a capital em Kazan, que tem metade da sua população formada por tártaros étnicos. 

Em 1939, havia 218.000 tártaros da Crimeia. Isso significava cerca de 22.000 homens em idade militar, cerca de 10% da população. Em 1941, de acordo com fontes soviéticas da época, 22.000 mil soldados tártaro-criméios desertaram do Exército Vermelho. Em 1944, 22.000 soldados tártaro-criméios juntaram-se às forças nazistas e estavam lutando contra o Exército Vermelho.7 Mas o que fez o Exército Vermelho? Pelo Direito Militar das principais nações civilizadas esses desertores poderiam ter sido fuzilados(a Constituição da República Federativa do Brasil prevê a pena de morte por deserção em caso de guerra), poderia ainda ter preso esses 22 mil desertores, todos jovens em idade militar, ou poderia simplesmente tê-los deportado e construir imensas "cidades-prisão" em algum lugar remoto da Sibéria sem qualquer mulher para continuar sua população, ao mesmo tempo deixando as mulheres tártaras da Crimeia sem qualquer jovem rapaz para a sua próxima geração. Evitando todas essas situações, o governo soviético preferiu deportar toda a nacionalidade para a Ásia Central, o que foi feito em 1944.

Integrante da Legião Tártara, da Waffen SS. Seu distintivo no braço direito mostra uma flecha, provavelmente evocativa dos keshiks, tropas arqueiras montadas da Horda de Ouro


O mesmo aconteceu aos chechenos e inguches, em 1942 havia cerca de 450.000 deles, isto é, cerca de 40-50.000 em idade militar. Em 1942, quando no ápice do progresso nazista, 14.576 deles foram chamados ao serviço militar, cerca de 13.560 deles desertaram, ou seja, 93%, e ainda se juntaram a bandos rebeldes ou bandidos nas montanhas. A colaboração entre essas nacionalidades e os alemães foi massiva, a Radio Svoboda chegou a entrevistar rebeldes chechenos que se orgulhavam de uma "rebelião antissoviética" em fevereiro de 1943, uma mentira com base na omissão, isto é, de que esta revolta em realidade se deu sob a bandeira nazista, com o objetivo de uma aliança com o nazismo.

Durante a deportação dos chechenos as baixas foram mínimas, 0,025% dos deportados. De acordo com Bugai e Gomov, registros do NKVD atestam que dos 493.000 chechenos e inguches e membros de outras nacionalidades deportadas ao mesmo tempo, 50 pessoas foram mortas no curso da operação, e 1.272 morreram durante a jornada. Uma vez que se deu no inverno o processo, e durante a pior guerra da Europa, o número não é considerado alto.

Isso contradiz o que Khruschov e Bertone Sousa alegam, isto é, de que:

1- Nacionalidades foram deportadas "sem nenhuma exceção";
2- não havia razão militar para as deportações;
3- toda a colaboração ou traição eram "atos de pessoas individuais ou grupos de pessoas".

Ainda, para demonstrar a falsidade das teorias de Khruschov e Sousa, vem em nosso auxílio o magíster russo I. Pyhalov, autor de Vremya Stalina: fakty protiv mifov(Tempos de Stalin: fatos contra mitos). Citando Nikolay Bulganin, o russo nos mostra que aqueles que tomaram parte na guerra de guerrilhas clandestina da Crimeia contra a retaguarda do inimigo eram excluídos do status de "colono especial", bem como suas famílias. A família de S. S. Usyeynov, integrante de um grupo guerrilheiro patriótico fuzilado pelos nazistas, foi, deste modo, permitida a continuar em território tártaro-crimeio.


Bertone Sousa, num esforço para parecer um "humanista defensor dos direitos humanos universais", nos fala cinicamente que "Stalin ordenou o extermínio de milhões de pessoas", sem apresentar quaisquer documentos de tais "execuções", ignorando o contexto de guerra da época e a própria história da União Soviética e de cada povo que dela fazia parte, bem como as conspirações com o intuito de derrubar o governo soviético e empreender a restauração capitalista. Suas fontes não poderiam ser piores, uma autora sionista apologista de pedófilos8, um historiador comprovadamente ligado a dois serviços(!!!) de desinformação e propaganda anticomunista, Robert Conquest, ex-IRD hoje ligado à CIA9, além de dissidentes soviéticos. Isso é o mesmo que querer escrever sobre os judeus partindo de autores ligados à Gestapo, ou querer escrever sobre os palestinos partindo de autores israelenses. Antes que isso pareça uma crítica ao estilo ad hominem, nós não excluímos a possibilidade de que algumas informações lançadas por esses autores sejam verdadeiras, todavia necessitam de um filtro minucioso, uma vez que são abertamente tendenciosas e demasiado unilaterais, além de esconder toda uma agenda política. 

É curioso como o nosso aspirante a "campeão dos direitos humanos" demonstra uma obsessão com Lenin e Stalin, ele já tentou de tudo, até mesmo mostrar que Stalin era um "espião tzarista"(baseando-se em fontes da glasnost), e depois acredita ter moral para falar que empregamos "teoria da conspiração". Segundo conspiradores Stalin era um agente do tzar e Lenin um agente dos alemães, resta entender como até hoje nada foi provado sobre todos esses "agentes secretos" nem a Rússia se tornou um protetorado alemão. Uma rápida olhada na página do "professor aloprado" nos permite fazer uma conclusão bastante notável, o autor odeia profundamente qualquer coisa relacionada à aplicação das ideias socialistas científicas. Para Bertone Sousa o comunismo foi o "diabo encarnado", talvez uma herança de sua formação protestante que ele faz questão de disfarçar com textos sobre ateísmo e ceticismo. Os únicos textos de Bertone sobre política internacional dedicam-se apenas a demonstrar seu mais profundo e irracional ódio contra o socialismo científico. Esse defensor das "vítimas do stalinismo malvado", tão preocupado os "bilhões de mortos de Stalin e do Holodomor" tem um senso de indignação bastante seletivo, ele jamais escreveu sequer uma só linha contra os crimes do regime de Poroshenko na Ucrânia, esse sim um ato de genocídio contra civis orquestrado por uma junta pró-americana e abertamente neonazista. Ele jamais escreveu uma linha sequer sobre os crimes de Israel contra o povo palestino, ou sobre os crimes do presidente Barack Obama na Líbia e na Síria, onde guerrilheiros pró-americanos chegaram a atacar civis usando armas químicas! Nada disso interessa a Bertone Sousa, aliás, até interessa, interessa justificar todas essas atrocidades como uma "luta contra o Stalinismo malvado e contra os herdeiros de Ióssif Vissaryonovich Stalin". Essa é a única explicação para o seu ódio, o seu fervor anticomunista, e é por isso que ele fecha os olhos para os massacres cometidos com a participação ou a anuência da União Europeia/Organização do Tratado do Atlântico Norte social-democrata, com a qual simpatiza. Ele ignora os processos de luta que deram origem à sua tão amada social-democracia, ao capitalismo contemporâneo, o extermínio de praticamente todos os índios na América, a escravidão, tortura e genocídio dos negros, inclusive em protetorados do Rei Balduíno, da Bélgica, no Congo, os zoológicos de seres humanos, o genocídios dos armênios, a limpeza étnica e esquartejamento de poloneses na Ucrânia, nada disso tem importância para Bertone Sousa. Ele está mais preocupado em combater um premier que fez muito mais do que ele sequer poderia fazer contra o racismo e contra o nazismo, a combater um rei cujas tropas amputavam a mão de quem não trabalhasse para ele. Essa é a lógica moral e "humanista" de Bertone Sousa, e qualquer um que disso discorde está desafiado a buscar em seu site escatológico qualquer referência negativa ao Rei Balduíno da Bélgica, a Talat Pasha da Turquia, a Andrew Jackson dos Estados Unidos, à Rainha Vitória do Reino Unido, a Barack Obama dos Estados Unidos, a George Bush, do mesmo país, a Sérgio Cabral do Rio de Janeiro ou a qualquer latifundiário de seu estado provinciano! Afinal, isso não é "totalitarismo", é "luta pela democracia e pelos valores humanistas da civilização".

O autor do artigo tenta brinca de tolerante, falando num "stalinismo dissociado do comunismo", mesmo chega a cair na onda da mídia ocidental, de que hoje na Rússia existe uma "reabilitação de Stalin", o que é falso! De fato existe, por parte de alguns setores ethink tanks um certo tributo a alguns de Stalin, algo que também acontece na Alemanha e mesmo no centro do capitalismo mundial, os Estados Unidos, com ninguém, ninguém menos que Karl Heinrich Marx. Um artigo da revista Rollings Stones mesmo chega a nos dizer que "Marx estava certo", não por causa de suas teorias revolucionárias, mas por que "seu trabalho tem algo de positivo no ponto em que ele previu grandes avanços do capitalismo".10 Isso não quer dizer que Marx e Engels são uma referência para o capitalismo ou que ambos "defendiam o capitalismo mas eram homens de seu tempo revolucionário". O mesmo ocorre na Rússia com Lenin(que até tem monumentos espalhados pelo país) e Stalin. Defender seu legado ideológico enquanto funcionário público ou militar da Infantaria Naval, como é o caso de um amigo do autor deste texto, pode trazer sérios problemas!

Bertone Sousa é um exemplo bizarro da falta de princípios dos defensores do liberalismo político ocidental, que encontrou no governo de Iósif Stalin sua mais violenta e decidida oposição. E ao seguir esses pensadores ocidentais, é natural que ele se filie ao pensamento anticomunista, à russofobia, à defesa do pós-modernismo, do homossexualismo, comum aos ateus militantes contemporâneos! Suas ideias apresentam o que há de mais reacionário em seu blog, latrina da academia brasileira. Elas representam a derrota de um intelectual fracassado, frustrado, medíocre, incapaz de enfrentar a realidade e com medo de ir além de paradigmas implantados por um sistema misantropo que leva a humanidade a um caminho anuviado pelas taras de conquista do mundo dos principais poderes imperialistas. Um garoto brincalhão que quer ser levado a sério!




1- Em: http://www.marxists.org/reference/archive/stalin/works/1931/01/12.htm
2- Em: http://www.sovross.ru/modules.php?name=News&file=article&sid=58241
3- Originalmente em russo: "Целью всей моей жизни было уничтожение коммунизма, невыносимой диктатуры над людьми. Меня полностью поддержала моя жена"
4- Originalmente em alemão: Unternehmen Weitsprung
5- Geórgia.
6- The Diary of Georgi Dimitrov, ed. Ivo Banac (Yale U. P., 2003), p. 166
7- FURR, Grover. Khruschev lied. Erythros Press and Media, LLC. Tradução parcial de Cristiano Alves. P. 100
8- Ver: http://www.huffingtonpost.com/jillian-york/anne-applebaum-child-rape_b_305814.html
9- Ver: http://www.mariosousa.se/TheGuardianFridayJanuary271978050831_Sida_1.jpg
10- Ver: http://www.rollingstone.com/music/news/marx-was-right-five-surprising-ways-karl-marx-predicted-2014-20140130



Fontte: A Página vermelha

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